Archive for June, 2011

O preço que se paga por ser diferente

Wednesday, June 29th, 2011

Os anos passam, os aprendizados vêm, mas não consigo deixar de me irritar com má vontade.

Já haviam me dado algumas referências ruins sobre a Padaria e Confeitaria Sabor e Arte, que fica em frente à AES Sul de São Leopoldo (RS), como atendimento ruim e, uma querida amiga também vegetariana, que não tinha quase nada para nossa “dieta”.

Eis que tive a “oportunidade” de agora conhecer, acompanhando colegas. Logo fui olhar o buffet de minisalgados, modelo pouco convencional em padarias e bem interessante. Perguntei e, entre dezenas de tipos, só tinha um (1!) de palmito. Sem stress, pensei, já escolada, pedindo:

__Então vocês fazem uma torrada, um sanduíche?
__Não.

Hello, qual padaria no mundo que não faz algo na hora?

Irritada e magoada pela má vontade do local, peguei minhas coisas e fui embora, certa de que se “paga um preço alto” por ser diferente da maioria, mas que estou completamente disposta a continuar ”pagando”.

Na mesma rua, na esquina da Praça dos Brinquedos, a maravilhosa Padaria Agostini reserva atendentes atenciosas, salgados com queijos, batatas e legumes, além de lanches feitos na hora, ao gosto do cliente.

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Fuego sobre el marmara – legendas português

Monday, June 27th, 2011

Um documentário lançado recentemente e disponível na internet, vale muito a pena ser visto por quem deseja entender o conflito Israel-Palestina de uma forma mais real, pouco divulgada na mídia. São 59 minutos de histórias de vidas e busca por um mundo sem discriminação, neste caso de raça e credo.

Mostra quem eram as cerca de 150 pessoas, de dezenas de países, que estiveram no Marmara, embarcação humanitária que buscou furar o bloqueio de Gaza em maio de 2010.

Jornalistas, fotógrafos, músicos, religiosos de várias crenças, unidos para levar comida, itens de higiene, materiais de construção e amor aos palestinos. Mostra também, ao vivo, como foi o  ataque noturno do exército israelense que ocasionou 9 mortes de civis que ali estavam, sem armas, apenas câmeras fotográficas, laptops e celulares nas mãos.

Essas  pessoas inclusive foram chamadas ontem, durante o programa Hora Israelita, há 64 anos no ar na Rádio Bandeirantes, de terroristas. O assunto está reaberto porque nesta semana, sai uma segunda embarcação.

Quem publicou foi o blog dissonante, com 5 partes com legendas em português. Vale muito a pena assistir. Clique e role a página até os vídeos: www.dissonancia.com/blogdissonante/?p=6646

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Sobre concepção e paciência

Sunday, June 26th, 2011

O tipo de história que não merece muita explicação. Tem que sentir.  Mas se for para falar algo… dá a mesma sensação da concepção de um zine feito com amor, de uma reportagem cheia de envolvimento, duma entrevista com aquela pessoa que descobrimos e passamos a admirar, duma comida inventiva e cheia de carinho, do mimo feito e recebido por mãos conhecidas. Coisa de gente que silencia para escutar o <3.

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Põe teu vestido que a fogueira tá acesa!

Saturday, June 25th, 2011

Festas de São João, mas que saudade. Aqui no Sul, muitas mães misturam tradições, preparando as meninas com vestido de prenda, trança, chapéu de palha e pintinhas no rosto. Meu vestido é vermelho e branco, era usado em julho e setembro, religiosamente, até deixar de servir.

Na minha rua, na verdade na transversal dela, a 1º de maio, a vizinhança se reunia e fazíamos uma grande festa no campinho de futebol, um terreno baldio onde muito gol eu defendi, muito gol eu levei, algum  grito eu soltei, algumas lágrimas eu derramei…

Lá, a gente enfeitava com bandeirinhas e elos, nossos pais montavam uma grande fogueira, tinha pipoca, pinhão, quentão bem fraquinho, canjica, estas coisas…

Onde se acha hoje em dia uma festa assim se não posso dar um pulo ali no Nordeste? Com a tradição que é de lá, ouvi dizer que a movimentação corre solta na frente das casas, cada um com uma fogueira (achei isso lindo e ainda preciso ver!), além de  muita alegria amiga.

Se puder, aproveite, põe teu vestido que a fogueira ainda está acesa!

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Maria Lucimar Pereira, 120 anos

Friday, June 24th, 2011


O que come, bebe, faz, pensa, deseja… Como age, se relaciona, ama, vive esta senhora? O que a diferenciou para chegar a esta idade? Eis o mistério da vida!

Fonte: Folha.com - Funcionários do INSS encontram senhora de 120 anos no Acre.

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Vitor Necchi, também adoro “malas”

Tuesday, June 21st, 2011

Eu tenho turma, por Vitor Necchi, Coordenador do Curso de Jornalismo da PUCRS

Quando me sinto cansado demais, quando tenho muito o que fazer, quando fico tenso, quando o dia e a semana exigem e parece que o tempo não será suficiente para tudo, nesses momentos fraquejo e tenho vontade de chorar. Hoje foi um dia assim. Pelo menos em dois momentos quase chorei, mas me contive, porque frescura tem hora, né? Mas o fato é que esta sexta-feira, que nem diria um saudoso e sensível ex-aluno, esta sexta-feira veio de gangue pra cima de mim.

Logo cedo me irritei profundamente com a crônica do David Coimbra em ZH. Intitulada “Eu não tenho turma”, ele dispara sua cólera retórica contra petistas, ecologistas, budistas meditadores, veganos, feministas e defensores dos animais, todos perfilados sob o mesmo adjetivo: malas. Seguindo a verve de cronista esperto, ele dispara contra alguns religiosos, liberais, saudosistas da ditadura, racistas, integrantes do movimento negro, antitabagistas, o pessoal da Massa Crítica e linguistas e intelectuais que discutem preconceito linguístico. David Coimbra se mostra irritado com os malas organizados que enchem o saco dele. E dispara: “Eu não tenho turma, eu não quero ter turma, com exceção das pessoas de quem gosto, que não formam uma associação, que não são ONG (malas!), nem movimento de coisa nenhuma”.

Pois num dia que se iniciou me irritando com o texto do David Coimbra e que me deu vontade de chorar durante seu desenrolar em razão da loucura da vida, esse dia terminou há pouco e eu sorri porque sou um mala. Tive vontade de sorrir, sobretudo, porque tenho amigos malas que acreditam no poder que têm de transformar o mundo, por mais clichê que isso possa soar para os espertos que não gostam dos malas que se agrupam em torno de causas comuns.

É madrugada de sábado. Moro no Rio Grande do Sul, o estado mais meridional do Brasil onde o frio não é retórica. Mais do que chamariz para turistas encasacados, o frio sulino fere a carne e a dignidade de quem vive nas ruas. O povo das ruas, que muitos chamam de mendigos, desocupados, bêbados, viciados ou vagabundos, são pessoas que em algum momento da vida perderam o vínculo com a formalidade do mundo. A família, o teto, o trabalho, a capacidade produtiva, os afetos, o orgulho, as posses, tudo ficou para trás, e a rua, sedutora e perigosa, se tornou abrigo desse contigente. A rua, dizem, é de todos, e ela recebe quem se esquiva da vida pretérita ou quem teve seu futuro subtraído.

É madrugada de sábado em Porto Alegre e pela primeira vez em muitos intermináveis anos o seu Valdir terá um teto. Em Viamão, município vizinho desta Porto Alegre gelada, seu Valdir e sua cadela, a Princesa, se encontram abrigados numa casa. Deve estar meio escuro, pois a correria e a excitação causadas pela bondade impediram que os benfeitores se lembrassem de solicitar à CEEE que a eletricidade fosse restabelecida na casa humilde, mas tudo bem. O escuro não deve assustar quem sobreviveu no hiato da vida mimetizada sob a curva de um viaduto cinza.

É madrugada. Na sexta-feira que se encerrou há pouco, fiquei irritado com o David Coimbra e a exaustão me deu vontade de chorar, mas em poucos minutos deitarei sorrindo porque tenho amigos malas que formam um grupo e compartilham crenças. Entre esses malas, há aqueles que salvam animais. A Thiane, por exemplo, é muito mala, essa guria. Vocês não imaginam quantos animais ela já salvou e conduziu a uma casa onde fossem bem tratados. Dezenas de malas doam dinheiro para a Thiane, compram as rifas da Thiane, comparecem aos bazares organizados por ela com o único propósito de ajudar gatos. Cada vez que eu faço uma doação para ela, sei que a causa desta mala dá mais um passo. Confio cegamente nessa mala e seguirei contribuindo com suas loucuras.

Há outros malas que conheço e que abrigam em suas casas animais enxovalhados por seres humanos. Eu mesmo sou um mala. O Rufus e seus três irmãos foram resgatados de dentro de um saco amarrado jogado num mato. A morte era certa, mas a Candice resgatou a prole e cuidou dos gatinhos até eles completarem dois meses. Um deles é o Rufus, que há mais de dois anos mia todo dia quando pressente minha chegada. Outra mala é a Cleide, que resgatou a Yolanda na beira de um esgoto na Região Metropolitana. Quando a trouxe para casa, ela tinha medo das pessoas, do vento, de espirro. Com o tempo, a vilania dos chutes e pedradas restou no passado e ela foi se chegando, se aninhando. Hoje, a linda gata plúmbea lambe minha barba antes de deitar ao meu lado e esfrega a cabeça na mão das visitas.

Mas a mala suprema da semana e de todos os dias é a Katarina, amiga exuberante que transborda afeto e indignação. Essa mala tem uma turma de malas que compartilham sentimentos. A Katarina, mala como sempre, descobriu seu Valdir e sua Princesa na rua. A força do seu olhar insubordinado detectou que a dignidade podia ser devolvida para este cidadão que vive na rua mas não é da rua. Ela descobriu que seu Valdir teria direito a benefícios sociais e foi atrás deles. Ela acenou e os amigos malas atenderam. Uns deram dinheiro, outros, móveis e roupas. Foram dias e dias de mobilização, e o resultado é que o seu Valdir se encontra, nesta madrugada gelada, abrigado sob um teto que pode chamar de seu.

Nesta madrugada gelada que sucede um dia tenso de uma semana louca que me deu vontade de chorar, vou para a cama sorrindo porque a Thiane é uma mala, a Candice é uma mala, a Cleide é uma mala. Deito sorrindo porque tenho amigos malas. Deito emocionado porque a Katarina é uma mala imensa. A bondade e o amor não são clichê, nem cafonice, muito menos retórica na vida da exuberante Katarina. E essa malice contagia.

David Coimbra, eu amo meus amigos malas. Eu me inspiro nos militantes malas. Eu respeito as ONGs malas. Eu financio malas que cuidam de bichos escorraçados. Eu defendo malas negros, gays, deficientes, travestis, ambientalistas. Eu me somo aos malas que ampararam seu Valdir e sua cadela. Eu tenho uma amiga chamada Katarina que tem o coração do tamanho de uma Kombi anos 70 e, de tão mala que é, de tão obstinada, de tão desbragadamente mala, conseguiu dar dignidade a um homem que precisava apenas de um aceno para recompor sua vida.

David Coimbra, mais do que amigos, eu tenho uma turma de malas. E isso me dá um baita orgulho.

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Sustentável e inteligente com estilo

Monday, June 20th, 2011

Já tinha admiração pela Chiara Gadaleta devido ao ótimo site Ser Sustentável com Estilo, que acompanho desde que iniciou como pequeno blog. Mas sua fala durante o II e-blogs de moda, promovido pelo núcleo Valliosa, da J&J, me surpreendeu ainda mais. Não sabia como tudo tinha começado…

Se por um lado a beleza, elegância e influência de Chiara poderia a fazer apenas mais uma conhecedora de algum tema dentro da moda, como existem tantos exemplos, essas qualidades se somam a uma simplicidade e autenticidade admiráveis que, unidas à inteligência sobre o tema sustentabilidade – que não é só ecologia, ela lembra, mas também resgate dos ofícios, por exemplo (adorei isso!), deram gosto de ver e escutar.

Tudo começou quando ela ainda tinha a marca Tarântula, que produzia acessórios com conotação de joias, com uso de materiais alternativos e mão-de-obra justa, com proximidade dela com quem produzia. Para crescer, um dos administradores veio lhe avisar que precisariam começar a produzir na China ou Índia para aumentar os lucros. Ela repensou e resolveu encerrar a marca.

Foi estudar o que estava por trás do que a moda não costuma comentar, do que o consumidor não costuma saber. Então começou a trabalhar seu projeto SSE (Ser Sustentável com Estilo), que se tornou Instituto em janeiro último.

Além de ser um site colaborativo sobre o assunto, leva seu trabalho de consultoria a comunidades que produzem artesanato, mas precisam de uma conotação de moda, empresta sua imagem para causas sustentáveis, elabora exposições, feiras, entre outros.

Ao longo de sua fala, Chiara citou RE’s como Respeito, Reciclagem, Reaproveitamento, Reutilização (vintage, brechós) e eco-critérios, como utilização de materiais orgânicos, comércio justo (fair trade), artesanato + design, desperdício, feito à mão e upcycling.

Também expos projetos sustentáveis que estão acontecendo com muito empenho no Brasil e são seus parceiros. Ela se aproximou de todos eles, vivenciando suas propostas, a exemplo de Luciana Galeão e o Morro da Sereia, de Salvador (BA);  Patrícia Moura Bijoias e Rendarte, de Pernambuco; e Kalina Rameiro (PI).

Para quem admira causas sociais, como eu, e também moda, foi um momento bastante emocionante e inspirador.

Das marcas apoiadoras presentes, destaco a Naturezza (linha da Via Uno), que consegue fazer, comercialmente, para classe C, lindos calçados com materiais alternativos, alguns reaproveitados;  a Boca Grande, jovem marca infantil que se mostrou bastante honesta ao dizer que ainda não faz nada sustentável, mas se sentiu inspirada pela palestra e em breve promete novidades; e Damyller, grande marca, com dezenas de lojas próprias, mas superempenhada na melhoria da questão dos problemas decorrentes da lavagem do jeans, seu carro-chefe.

Ah, também a pequenina grife Rache Martini, de Caxias do Sul, que valoriza a qualidade a quantidade, fazendo peças bem únicas, não muito calcadas em temporadas, tendências…

Todos fazendo o trabalho do beija-flor, citado em algum dos momentos, que, questionado sobre porque buscava apagar o incêndio da floresta com sua pequena quantidade de água no bico, respondeu que estava fazendo sua parte! Sábia natureza.

Foto: Divulgação

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Islamia, camarada!

Saturday, June 18th, 2011


Islamia tem o bonito significado de Ilha minha, nome do blog que tive o prazer de conhecer recentemente devido “palestra” da idealizadora, a cubana Norelys Morales Aguilera, durante VI Congresso se Solidariedade a Cuba, no Plenarinho, em Porto Alegre (RS).

A plateia não estava lotada. Não vi presentes disputando tweets. Mas quem arriscou, petiscou uma aula sobre temas como mídia alternativa, acesso restrito a internet, checagem de informação, comunicação e poder, bloqueio midiático…

Já a fala de sr. Zamora, embaixador de Cuba no Brasil, inspirou a refletir mais sobre tudo que se quer e o que realmente se precisa. Um presente, um chão para nosso consumismo desenfreado.

“Solidariedade não é dar o que sobra, mas compartilhar o que se tem”.

Foto minha, trabalhada em photoshop. Esquete emocionante pós-evento, “Fragmento: te doy una cancion”, de Ana Campo,  uma homenagem aos cinco presos pelos EUA.

Neste sábado, dia 18, fui convidada para o II e-blogs de moda, já que Nina Flores também posta algumas coisas relacionadas, criações com amor. Me faz bem circular entre o que para muitos seria tão diferente, política e design, mas simplesmente ambos me tocam com a mesma intensidade! Já dizia nosso comandante:

“Hay que endurecer, pero sin perder la ternura” ; ) Precisa dizer mais?

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O rock que vem do interior

Thursday, June 9th, 2011

Avistada assim, em plena sexta-feira de manhã cedinho, conquistou. Junto com um colega, veio do interior para um trabalho escolar sobre… rock! O mais bacana além da roupa? Uma energia interiorana tímida e simples, mas que no fundo, sabe “das coisas”!

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Cultivo una rosa blanca

Sunday, June 5th, 2011

Cultivo una rosa blanca
En julio como en enero
Para el amigo sincero
Que me da su mano franca
Y para el cruel que me arranca
El corazón con que vivo
Cardo ni oruga cultivo
Cultivo una rosa blanca

José Martí, livro Versos Singelos

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Uma homenagem à Laïs Pearson

Friday, June 3rd, 2011

Neste dia 3 de junho, Laïs Pearson, precursora do jornalismo de moda no Brasil, completa 84 anos! Tive o prazer de conhecer esta elegante e inteligente senhora em 2008, em Fortaleza, quando anotou-me seu telefone e e-mail num bloquinho. Letra bonita, desenhada! Guardei durante 3 anos, quando em 2011 retomamos contato para esta entrevista.

Muito obrigada por sua energia e inspiração, Dona Laïs! Felicidades!

 

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