__Deixa eu olhar minha casa pela última vez.
__Estás arrependida?
__Não, mas dói.
Malvina com Mundinho Falcão em “Gabriela”
__Deixa eu olhar minha casa pela última vez.
__Estás arrependida?
__Não, mas dói.
Malvina com Mundinho Falcão em “Gabriela”
Um pouco oferecem e vendem seus artesanatos, um pouco brincam, um pouco se empurram e riem, um pouco pedem um pastel com refri para alguém que passa. São ainda crianças, índios caigangues. Olham encantados para o tênis multicolorido que foi moda há duas ou três estações. Apontam para a placa: R$ 14,99. Tinham vontade de tê-lo.

Num domingo ensolarado, junto ao prédio localizado na pequena travessa da Rua Flores da Cunha, em São Leopoldo (RS), um homem acorda. O grafite próximo a ele grita para a sociedade acordar também. Feliz 2012, recicle-se!
UPDATE: esse prédio velho (e esse grafite também) foi destruído em janeiro/fevereiro de 2012 para receber tapumes e virar um prédio lindo e novo para a classe média, nós, nos sentirmos vivendo seguros e bem!
Milhares de histórias que se misturam num só ambiente. Papel por todos os lados. Capas e mais capas. O bonito vai e vem de pessoas, bem diferentes umas das outras, que entram atrás dessas palavras, frases, ideias. O interesse não tem preço. A leitura como um momento especial, onde a gente se presenteia com tempo e tranquilidade raros para mergulhar na nossa imaginação e também se dedicando a do outro que escreveu. O respeito não tem preço. Estar por dois dias dentro de uma livraria está sendo um presente. Basta agora escolher um título da estante para recomeçar.
Domingo. Supermercado popular lotado. Não havia malandragem no rosto daquele jovem, só constrangimento. 2 quilos e pouco de carne, e só ela, sangrenta, úmida. Preso, algemado. Passa um, dois, três, o senhor chama o filho para ver. Não foi só o churrasco que ficou prejudicado. Tinha ali uma vergonha. Dele. Minha. Sem fim.
7h50 da manhã. Avenida movimentada. Vidas correndo. Carros e ônibus voando. Bum! Era um cachorro. Grande. Bonito. Mas abandonado. Ainda senti o calor de seu corpo e pude orar em sua despedida. Dois seres iluminados apareceram e ajudaram a colocá-lo na sarjeta. Descanse em paz!
De uniforme laranja, entre uma varrida de rua e outra, o gari pega o celular:
_Tá tudo bem aí em casa? Já comeu alguma coisa?
Meio dia, o pai vai numa loja ali do Triângulo comprar uma meia para ti, tá?
O pai tem que desligar. Até de noite.
Quem anda sem querer parar para pensar, faz o quê?
Se esvazia numa tv.
E quem tá sem internet?
Anota pensamentos num notepad.